Quarta, 18 Abril 2018 18:31

Partidos lançam, no Congresso, manifesto em defesa da democracia

dep janete manifestoBrasília, 18/04/2018 – Partidos do campo democrático e popular lançaram, nesta quarta, 18, pela manhã, no Congresso Nacional, em Brasília, o Manifesto pela Democracia, Soberania Nacional e Direitos do Povo Brasileiro. A deputada federal Janete Capiberibe, do PSB do Amapá, participou do lançamento do manifesto junto com parlamentares de diversos partidos e os presidentes nacionais do PSB, Carlos Siqueira, do PCB, do PT, do PDT, do PSOL e do PCdoB, que compõem essa ampla frente social.

Janete afirmou, em discurso no Plenário da Câmara, que “o manifesto repudia a intolerância e a violência, a retirada de direitos e o enfraquecimento do País promovidos por Temer e seus apoiadores”. Segundo ela, “Defende as liberdades democráticas, os direitos políticos e as eleições livres, os direitos sociais, a soberania e o patrimônio nacionais”.

O presidente do PSB, Carlos Siqueira, pontuou aspectos que compõem o estado democrático. “A democracia requer mais do que ter o direito de votar, do que ter o direito de ir e vir. Requer os direitos sociais, sem os quais não há democracia. E são exatamente esses direitos que neste governo ilegítimo, corrupto e inaceitável do senhor Temer têm sido negados”. Siqueira afirmou que a  sociedade e os partidos que lançam o Manifesto e as lideranças populares “conseguiram refutar a famigerada reforma da previdência, tal qual foi proposta pelo senhor Meireles, um representante dos banqueiros”.

carlos siqueira manifestobSiqueira destacou o compromisso político de resistência a favor da democracia. “Nós estamos firmes nesta luta, de mãos dadas, para que a democracia não feneça, para impedir os regimes autoritários. Temos que assegurar o direito de que a violência não pode ser aceita, o fascismo não pode chegar, sorrateiro, e essa luta precisa agregar muita gente e ir para as ruas, para que os segmentos que lutaram pela democracia e pelos direitos sociais nos acompanhem’.

Ele defendeu a unidade dos partidos, apesar das diferenças pontuais. “Agora temos que lutar pelo que é essencial, para que a democracia sem amplie e possamos superar essa fase desgraçadamente a pior dos 32 anos de democracia. As nossas diferenças não podem impedir de estarmos juntos. Vamos juntos lutar pela liberdade, pela democracia e pelos direitos sociais”, discursou o presidente nacional do PSB.

Leia, abaixo, a íntegra do manifesto.

Manifesto pela Democracia, Soberania Nacional e Direitos do Povo Brasileiro

 

O Brasil vive dias sombrios. A retirada de direitos, promovida de maneira acelerada pelo governo de Michel Temer e sua base parlamentar, é parte de um preocupante surto autoritário. A violência, o ódio e a intolerância disseminados nas redes sociais, incitados por estratégias de comunicação da mídia tradicional, se arrogam a pretensão de pautar a agenda política nacional, tratando o Estado Democrático de Direito como se fosse apenas um empecilho anacrônico em seu caminho.

 

O assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, foi o episódio mais dramático dessa espiral de violência, embora não tenha sido o único. O atentado contra a caravana do ex-presidente Lula, no Paraná, por seu evidente caráter miliciano; e sua posterior prisão, para a qual contribuíram diferentes operadores de direito que priorizaram clamores orquestrados por parte da opinião publicada, relativizando direitos constitucionais que lhe assistem, são fatos gravíssimos. Tais fatos fazem parte de um mesmo enredo, no qual as conquistas populares obtidas no processo constituinte de 1988 são consideradas excessivas por uma elite conservadora e reacionária, cabendo assim a implementação de um “programa corretivo”, no qual o progresso possa ser desvencilhado da obrigação política de diminuir as desigualdades que ainda assolam o Brasil.

 

As forças políticas e institucionais que operam a implantação desse programa do atraso querem cravar, na própria legalidade, a prerrogativa de abandonar pelo caminho os mais pobres, destituindo as amplas maiorias sociais do direito à cidadania. Diante desses fatos, torna-se urgente um maior diálogo entre todos os setores sociais comprometidos com a liberdade, a democracia e os direitos sociais. É hora de reunir partidos, entidades da sociedade civil, movimentos sociais, professores, cientistas, operadores do direito, artistas, líderes religiosos, dentre outros, para articular a resistência democrática aos atentados contra a democracia e o estado de direito.

A articulação desses atores deve se basear em três eixos fundamentais. O primeiro é a defesa intransigente das liberdades democráticas, dos direitos políticos e de eleições livres. Os rumores sobre a possibilidade de cancelamento do calendário eleitoral devem ter como resposta a defesa enérgica de eleições democráticas e livres. O segundo refere-se ao enfrentamento intransigente da violência disseminada pela extrema-direita. A democracia não pode conviver com milícias armadas, ameaças de morte, atentados ou assassinatos. É hora de dar um basta à violência, atuando em todas as instâncias possíveis, para alcançar e punir os responsáveis por disseminar e incitar o ódio e a intolerância, bem como os responsáveis pelos crimes contra lideranças políticas, que chocaram o país.

 

O terceiro eixo desta unidade está na defesa dos direitos sociais, da soberania e do patrimônio nacional. Como já indicamos, a violência disseminada pela extrema-direita e os ataques à democracia compõem um programa político de setores retrógrados das elites econômicas, para as quais a civilização se limita a suas próprias conquistas materiais. Por isso, enquanto aumenta a violência contra os setores populares e democráticos, cresce também o ataque aos direitos sociais e à soberania, como demonstram as retiradas de direitos como a reforma trabalhista, a tentativa de aprovação da reforma da previdência, de privatização da Eletrobrás, e o relaxamento entreguista das normas de direito ambiental e a implementação de uma agenda econômica rentista que dá total prevalência aos lucros cada vez maiores do sistema financeiro.

 

É hora, portanto, de defender a democracia, com a energia dos que sabem de suas virtudes e estão cientes da ameaça representada não apenas por um programa autoritário, mas por uma plataforma política avessa à civilização.

Os partidos que subscrevem esse manifesto convocam todos os setores sociais comprometidos com os valores democráticos à formação de uma ampla frente social. Essa frente, que não tem finalidades eleitorais, buscará estimular um amplo debate nacional contra o avanço do ódio, da intolerância e da violência. Só assim poderemos reconstruir um Brasil soberano e de respeito absoluto ao estado de direito.

 

Carlos Siqueira
Presidente Nacional do PSB

Edmilson Costa
Secretário Geral do PCB

Carlos Lupi
Presidente Nacional do PDT

Gleisi Hoffmann
Presidenta Nacional do PT

Juliano Medeiros
Presidente Nacional do PSOL

Luciana Santos
Presidenta Nacional do PCdoB

 

Fotos: Chico Ferreira e Rafael Nunes (Liderança do PSB na Câmara e no Senado)

Texto: Sizan Luis Esberci

Gabinete da deputada federal Janete Capiberibe – PSB/AP

 

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